domingo, 12 de abril de 2009
Frei Betto: A mão invisível
quarta-feira, 8 de abril de 2009
BBC Brasil: 'Olhe para Brasília, não para Pequim', diz artigo no WSJ
terça-feira, 7 de abril de 2009
Paulo Moreira Leite - Colunista da Revista Época: GUEVARA NO CINEMA
Sorderbergh é um cineasta claramente capturado pela personalidade histórica de Guevara.
Você sái do cinema convencido de que ele era um sujeito movido pela vontade de mudar o mundo, que acreditava mesmo que seria capaz de melhorar a vida humana e aperfeiçoar a própria humanidade.
A partir do colapso do socialismo real — e antes do colapso do capitalismo em 2008, que terá consequencias ainda imprevisiveis sobre nosso modo de ver o mundo — entramos num período de distanciamento e desencanto diante de qualquer possibilidade de superar os mandamentos da economia de mercado. Poucas personalidades ligadas a idéia de revolução conseguem resistir com boa saúde aos arquivos históricos e muitas retornaram ao debate público na condição como seres criminalizados.
Emboscado e morto na Bolívia, Guevara escapou como lenda histórica.
Se era tudo fingimento e ele iria — ou não — consumar uma carreira de crimes e privilégios, e mesmo de corrupção, não teve tempo.
O que ele fez, enquanto a vida permitiu, foi renunciar às mordomias a que teria direito em
Havana para voltar à selva e à luta de guerrilhas, na África e na América do Sul.
Não é pouca coisa, como mostra a juventude que carrega sua imagem de boina em camisetas, no porta-malas dos automóveis, em capas de caderno, canetas, boinas, no mundo inteiro.
A revolução cubana promoveu melhorias na condição de vida da população, mas foi incapaz de encontrar uma solução duradoura para o desenvolvimento fora da dependencia com a ex-URSS. O regime transformou-se numa ditadura em família depois da posse de Raul Castro como sucessor de Fidel — forma de sucessão que a humanidade rejeita desde 1789, quando o povo frances tomou a Bastilha.
Guevara é parte dessa história, um dos principais responsáveis.
Mas, como indivíduo, ele arriscou a vida em nome de idéias.
Sorderbergh mostra cenas onde o Che promove julgamentos sumários de desafetos. Essas mortes – e as execucões que o Che comandou após a tomada do poder — são condenáveis e devem ser vistas dessa forma. Mas o filme não se demora muito nessa situação. De certo modo, é como se perdoasse Guevara.
Seria ingenuidade, contudo, ignorar inteiramente que a violência política sempre fez parte da realidade daquele périodo e daquela geografia, como se veria antes e depois de sua morte. O próprio Che foi executado quando já fora dominado pelos soldados inimigos e não representava perigo algum a seus captores.
O filme descreve um indivíduo soberano, que tem a ousadia de suas convicções. Na última cena, não mostra um final feliz. Exibe um cidadão tão apegado a determinados princípios que é capaz de preocupar-se com eles num momento em que todos os outros estão ocupados exclusivamente com a tomada do poder.
É como se fosse um homem maior do que a história. É assim que se fazem os mitos.
domingo, 5 de abril de 2009
Desenvolvimento sustentável: Solo amazônico não suporta modelo agrícola
Pesquisador aponta, em tese de doutorado na Escola de Engenharia de São Carlos (USP), que o solo da Amazônia não suporta o modelo de agricultura a que está sendo submetido, ocasionando efeitos prejudiciais ao ambiente e à saúde das populações.
Ana Paula Gióia - Agência Fiocruz de Notícias
quinta-feira, 2 de abril de 2009
Luiz Nassif: Obama sobre Lula: o mais popular da Terra
Obama diz que Lula é ‘o político mais popular na Terra’
Presidente dos Estados Unidos elogia Lula em rodinha de líderes antes de reunião do G20: ‘Esse é o cara!’.
- O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, disse nesta quinta-feira em Londres que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva é o “político mais popular da Terra”.
Obama fez o comentário em uma roda de líderes mundiais, pouco antes do início da reunião do G20, em uma sala de conferência do Excel Center, em Londres.
Um vídeo da BBC registra a cena em que os dois se cumprimentam. Obama troca um aperto de mãos com o presidente brasileiro, olha para o primeiro-ministro da Austrália, Kevin Rudd, e diz, apontando para Lula:
“Esse é o cara! Eu adoro esse cara!”.
Em seguida, enquanto Lula cumprimenta Rudd, Obama diz, novamente apontando para Lula : “Esse é o político mais popular da Terra”.
Rudd aproveita a deixa e diz : “O mais popular político de longo mandato”.
“É porque ele é boa pinta”, acrescenta Obama.
Veja o video da BBC.
quarta-feira, 1 de abril de 2009
Emir Sader: 1964: democratas e ditatoriais
"DITABRANDA" conforme a Folha de São Paulo. Será?
sábado, 28 de março de 2009
Emir Sader: A crise e os trabalhadores
quarta-feira, 25 de março de 2009
Josué de Castro: O cresimento demográfico
Artigo de Frei Betto: O Deus mercado pede perdão
A Teologia da Libertação se propaga, apesar do veto do Vaticano
Roma incorre na profunda ilusão de acreditar que com seus documentos doutrinários emitidos por burocracias frias e distantes da vida concreta dos fiéis conseguirá frear a Teologia da Libertação. Ela nasceu ouvindo o grito dos pobres e hoje a comove o grito da Terra. Leia mais
sexta-feira, 20 de março de 2009
quarta-feira, 4 de junho de 2008
Raposa Serra do Sol: questão de justiça - por Frei Betto
Em 15 de abril de 2005, o presidente Lula assinou a homologação em área contínua da reserva indígena Raposa Serra do Sol, em Roraima. Este ano, a Polícia Federal, em cumprimento da lei, mobilizou-se para retirar da reserva seis arrozeiros. Os invasores da área, convencidos de que "índio atrapalha o progresso", reagiram com violência, inclusive bombas. Criaram o fato político capaz de induzir o STF a suspender a medida legal e reiniciar o atribulado percurso já transitado pelos três poderes da República.
Roraima abriga pouco mais de 400 mil habitantes num território de 224.298 km² (pouco menor que o Equador). Raposa Serra do Sol é uma área de 1,67 milhão de hectares, situada no nordeste do estado, nas fronteiras com a Venezuela e a Guiana. A área foi demarcada pelo Ministério da Justiça, através da Portaria 820/98, em 1998, durante o governo FHC.
Da área de Roraima, 46,35% são reservadas aos indígenas. Ali eles somam 46.106, distribuídos em 152 aldeias dos povos Yanomami (15 mil), Macuxi, Wapixana, Wai-Wai, Ingaricó, Taurepang, Waimiri-Atroari e Patamona.
Políticos e arrozeiros queriam a demarcação em área descontínua, "ilhas" onde pudessem permanecer com suas terras (invadidas) e propriedades (ilegais). Três municípios foram criados dentro da reserva indígena: Normandia, Uiramutã e parte de Pacaraima.
Raposa Serra do Sol não é apenas uma selva salpicada de tribos. Ali atuam 251 professores indígenas em 113 escolas de ensino fundamental e três de ensino médio. Os indígenas manejam um rebanho de 27 mil cabeças de gado. Funciona dentro da reserva a Escola Agropecuária de Surumu, que profissionaliza técnicos de nível médio. Conveniados com a Funasa, há 438 Agentes Indígenas de Saúde e 100 indígenas técnicos em microscópio, trabalhando em 187 postos de saúde e 62 laboratórios. Valoriza-se a medicina tradicional indígena.
Dentro do território demarcado, seis rizicultores ocupam 6 mil hectares, com lavouras irrigadas, nas margens dos rios Cotingo, Tacutu e Surumu. Todos grileiros em terras da União. Utilizam agrotóxicos, destroem a mata ciliar, soterram lagoas e igarapés, abrem valas para canalizar a água dos rios às suas lavouras. A mesma água, poluída com agrotóxico e inutilizável para o consumo, retorna ao rio, matando os peixes.
No verão, impedidas de fazer uso da água dos rios, as comunidades indígenas são obrigadas a cavar poços. Com a destruição das lagoas e da mata ciliar, as caças desaparecem. Os vilarejos dentro da reserva dão apoio ao garimpo ilegal e ali circulam bebidas alcoólicas, muitas vezes oferecidas às jovens indígenas.
Os direitos dos povos indígenas estão garantidos pelo artigo 231 da Constituição; este assegura-lhes a posse permanente e o uso exclusivo de suas terras. Uma demarcação fracionada da área favorecerá a invasão de forasteiros, aumentará a incidência de conflitos e porá em risco a sobrevivência de culturas milenares.
Na primeira semana de janeiro de 2004, o Jornal Nacional mostrou a mobilização de arrozeiros e latifundiários interrompendo estradas na tentativa de evitar a homologação de Raposa Serra do Sol. Com o apoio de lideranças indígenas cooptadas, seqüestraram três missionários católicos da Missão Surumu: os padres Ronildo Pinto França, brasileiro; Cézar Avellaneda, colombiano; e o irmão espanhol Juan Carlos Martinez, todos membros do Instituto Missão Consolata.
O ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos, advertiu o governador Flamarion Portela, de Roraima, de que o governo federal tomaria providências para liberar os reféns e desmobilizar o protesto. A Polícia Federal agiu e libertou os seqüestrados.
Eram seis horas da manhã de 23 de novembro de 2004 quando a comunidade Jauari foi despertada por tiros, gritos, roncos de máquinas. Quarenta homens armados mataram galinhas, porcos, cães e deram dois tiros no macuxi Jocivaldo Constantino, um deles na cabeça. De lá, marcharam para destruir as comunidades indígenas Brilho do Sol, Retiro São José e Homologação. Nas quatro aldeias derrubaram, com tratores, 37 casas e incendiaram os escombros, sem poupar a igreja, a escola e o posto de saúde; isolaram as áreas e fecharam as estradas. Ficaram desabrigadas 131 pessoas.
Retroagir a homologação de Raposa Serra do Sol para área não-contínua representa grave precedente jurídico em relação aos demais processos demarcatórios e poderá estimular grileiros e oportunistas a realizarem invasões nos mesmos moldes das que ocorrem em Roraima.
Quanto à Segurança Nacional, lembro que os povos indígenas têm, historicamente, desempenhado papel fundamental na preservação e defesa de nossos atuais limites territoriais. Não são os índios que promovem degradação ambiental, contrabando, garimpagem de minérios preciosos e derrubada de madeiras nobres. A hipótese de se criar uma faixa de 10 a 20 km de largura ao longo de nossas fronteiras abre o risco de atrair intenso movimento migratório de não-índios para a região, causando degradação ambiental e social, desmatamento e contaminação dos rios.
Cabe ao STF fazer cumprir a Constituição, ou seja, confirmar a homologação em área contínua, e, ao governo, deslocar a sede do município de Uiramutã para as margens da rodovia BR-401 (que liga à Guiana); promover a regularização fundiária de Roraima e reassentar os posseiros em áreas definidas pelo Incra, com pagamento das justas indenizações; preservar as atuais rodovias, como bens públicos, para uso de cidadãos indígenas ou não.
Retalhar Raposa Serra do Sol é retalhar a Constituição Brasileira, reforçar a discriminação aos indígenas e premiar o faroeste dos que apóiam os interesses de apenas seis arrozeiros.
Frei Betto é escritor e assessor de movimentos sociais, autor de "A Mosca Azul – reflexão sobre o poder" (Rocco), entre outros livros.